Com certeza você já deve ter ouvido a expressão “mudou da água para o vinho”. Essa frase passou pela minha cabeça assim que vi como seria a sexta geração do Renault Clio, que ficou quase irreconhecível em relação ao antecessor. O hatch compacto, que já chegou a ser vendido no Brasil, mas hoje é restrito à Europa, não muda apenas no design, mas também na lista de equipamentos e na motorização. E, pela primeira vez em quase 36 anos de trajetória, deixará de oferecer opções a diesel para dar lugar a um conjunto híbrido.
Mas, antes de te contar o que achei do modelo, vale uma contextualização. O Clio saiu de linha no Brasil em 2017, após 20 anos no mercado. Em seu lugar, veio o Renault Kwid, substituto direto e que em breve será renovado em nosso país. Fato é que o Clio, que chegou a ser produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR), nunca chegou a vender tanto por aqui.
Na Europa, porém, a história é outra. Lá, o hatch figura entre os carros mais vendidos em vários países. Tanto que, no acumulado de 2025, foi o segundo carro que mais emplacou unidades no continente, ficando atrás apenas do Dacia Sandero. É um marco notável, levando em consideração a história do Clio, que foi lançado em 1990 como sucessor do icônico Renault 5.
Como é o novo Renault Clio?
Dito tudo isso, o primeiro impacto acontece no design, claramente mais esportivo, principalmente pela dianteira projetada, os vincos no capô e os faróis mais estreitos. Além disso, há para-choque com desenho mais agressivo e elementos que remetem ao conceito Emblème, apresentado em 2024.
Em dimensões, o novo Clio cresceu e agora tem 4,12 metros de comprimento (+ 6,7 cm), 1,77 m de largura (+ 3,9 cm), 1,45 m de altura (+ 1,1 cm) e 2,59 m de entre-eixos (+ 0,8 cm). Portanto, atingiu o tamanho do Renault Kardian, que alcança os mesmos 4,12 m de comprimento e 2,60 de entre-eixos.
O resultado é um carro mais estável na estrada e com um incremento no volume do porta-malas, que agora traz bons 391 litros nas versões a combustão (o antecessor tinha 340 l). É basicamente o mesmo volume de um SUV compacto como o Chevrolet Tracker (393 l). Já as versões híbridas têm o bagageiro reduzido para 309 litros, por adotar componentes do conjunto elétrico, como a bateria. Ainda assim, é um volume acima da média no segmento de hatches compactos.
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Quando observamos o espaço, pode-se dizer que até cabem cinco adultos a bordo, mas o assento do meio na segunda fileira é menor, fazendo com que o passageiro fique apertado. O túnel largo no assoalho também atrapalha na disposição para os pés. Porém, o que deixa a desejar mesmo é a ausência de saídas de ar traseiras, item disponível em concorrentes diretos, como o Peugeot 208. Ao menos a altura é boa, fazendo com que até passageiros de 1,80 m não encostem a cabeça no teto.
Na parte da frente, é notável como a Renault promoveu uma evolução importante na oferta de tecnologias de conectividade. Agora, o Clio tem duas telas digitais de 10,1” cada, dispostas lado a lado. A central multimídia oferece bons gráficos e traz o sistema Google embutido, como no Boreal brasileiro, algo único no segmento e que permite acessar aplicativos como Spotify, Waze e Maps com facilidade. Ainda assim, há conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.Falando em acabamento, há muito plástico rígido na cabine e quase não se vê materiais sensíveis ao toque. Senti falta de uma melhor qualidade, como no caso da zona que envolve o retrovisor interno. Além disso, nem todas as cabeças de parafusos estão tampadas, o que passa uma sensação de “projeto inacabado”. No caso da versão topo de linha testada por Autoesporte, Esprit Alpine, ao menos há revestimentos que mesclam texturas e bancos dianteiros com apoio lateral.
Renault Clio: diesel não, híbrido sim
O que é interessante e relevante para o comportamento do Clio — que não era um dos carros mais divertidos entre os compactos — é o aumento da distância entre as rodas no mesmo eixo, as chamadas bitolas, sendo 4 cm no eixo dianteiro. Essa mudança, junto com uma direção menos desmultiplicada, tendo o número de voltas do volante reduzido de 3,3 para 2,6 de um batente ao outro, traz um melhor comportamento nas curvas.
A plataforma continua sendo a CMF-B, já usada há várias gerações e que utiliza uma suspensão tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, solução típica de hatches compactos. Há também discos ventilados nas rodas dianteiras e sólidos nas traseiras.
